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O machismo é um comportamento baseado na ideia de que o homem deve exercer um papel superior e de liderança transposta para todas as áreas do desenvolvimento social, segundo este ideal a mulher é subalterna ao homem e deve servir e obedecê-lo. É uma estrutura social em desenvolvimento que confere demasiado valor aos atributos provenientes da masculinidade e os define como parâmetros do desenvolvimento social, estabelecendo aquilo que seria o ideal para ser um "macho" tornando-o uma meta e fazendo com que seja imposto este comportamento aos homens que crescem desde pequenos sobre a influência deste como sendo a norma. O machismo está inserido sobretudo em ambientes familiares onde são construídas regras e normas da vida social, o processo de educação que sofremos transmite a cada um de nós as regras e os valores construídos pelos que nos antecederam. Perante os efeitos do machismo as mulheres começam assim a ser vistas como objetos e como alguém que simplesmente não é homem e por esse motivo deixa de ter caráter subjetivo e fica sem poder exercer posições privilegiadas dentro da sociedade uma vez que a natureza dita que essas funções são do homem. 

Ligado a esta superioridade dos homens está ligada a posição que estes exercem no mercado de trabalho tendo mais acesso a cargos importantes do que as mulheres.

Fig. 1- Distribuição de emprego por profissão e género


Fig. 2- Evolução da participação de mulheres e homens na Assembleia da República


A diferença salarial entre homens e mulheres também provém deste comportamento machista.


Fig. 3- Remuneração de trabalhadores por nível de qualificação


Fig. 4- Diferença salarial entre homens e mulheres


Esta questão (machismo) não envolve apenas o facto de o homem ser considerado superior mas também outros problemas provenientes deste pensamento. Proveniente do machismo aparece a violência de género, devido à masculinidade como fonte de privilégios e à subordinação da mulher que produzem efeitos manifestados posteriormente em diferentes campos como através da violência simbólica (objetificação do corpo feminino, submissão, subalternidade, desigualdade de direitos e acessos, etc.) e da violência física (violação sexual, assédio, violência doméstica, feminicídio, etc.), entre outros.


Fig. 5- Diferença entre homens e mulheres condenados por homicídio conjugal


Na maioria das vezes associamos o machismo a acontecimentos mais violentos e físicos mas nem sempre é esse o caso uma vez que existem diversos tipos de machismo que presenciamos no nosso cotidiano e muitas vezes nem damos por eles, como um dos exemplos mais comuns temos o Manterrupting (homens que interrompem) onde a mulher nunca consegue acabar a sua fala porque é constantemente interrompida em conversas, reuniões e palestras como se o que estivesse a ser proferido por ela não fosse importante sendo diminuída nestas situações (em 2016 no debate entre Hillary Clinton e Donald Trump na concorrência à presidência Clinton foi interrompida 51 vezes por Donald Trump enquanto falava sendo que este ato era proibido no debate), outro exemplo bastante comum também é o Mansplaining que é relativamente semelhante ao exemplo anterior com a diferença de que neste o homem explica coisas óbvias didaticamente à mulher como se esta não fizesse ideia do que está a ser dito para se poder sentir superior porque ele é homem e sabe mais do que as mulheres.


Fig. 6- Esquema representativo de Mansplaining


Hoje em dia perante uma sociedade ainda machista e sexista é difícil na maioria das vezes reconhecer as formas de violência que não são explícitas, estas tratadas com naturalidade evidenciam a forma que o machismo e o patriarcalismo se fazem presentes nas relações de poder entre homem e mulher e a forma que é representado pela sociedade. O grande problema aqui é que esta naturalização do machismo na sociedade contemporânea faz com que se torne desafiador saber como o enfrentar uma vez que, muitas vezes ele é invisível nos meios sociais e políticos.

Cada pessoa é estimulada a aprender tudo aquilo que a cultura considera como importante no processo da vida em sociedade e é a partir de toda esta aprendizagem que o padrão de vida masculina é inserido. Assim, vemos que os homens são incentivados a assumir um padrão onde a superioridade lhes é atribuído, o que vai provocar na sua construção social as futuras ações machistas, ditas dignas de um verdadeiro “macho”. Esta ideia de ser considerado "macho" exerce uma forte ligação com aquilo que é nos dias de hoje chamado de "masculinidade tóxica" onde qualquer indício apresentado pelos homens que os faça ser mais semelhantes com as mulheres os torna menos "macho", ou seja, um homem que demonstre sentimentos como ficar emocionado ou que tenha uma personalidade mais delicada automaticamente deixa de ser considerado homem, deixa de possuir a sua masculinidade ao olhar dos restantes homens, este assunto é abordado no podcast Man Enough - Undefinig Masculinity (https://manenough.com/). Ao longo dos séculos, foram realizados enormes avanços no que diz respeito ao reconhecimento dos direitos que as mulheres possuem na sociedade, embora apesar de todas as conquistas realizadas pelo movimento feminista ainda é possível observar o padrão opressivo que coloca o homem num lugar central de exercício de poder. Ainda que a mulher sofra preconceito este não é, como muitos outros, relacionado com raça, etnia, classe social ou económica, este preconceito atinge todas mulheres independentemente destes marcadores revelando o quadro de controle e dominância patriarcal existente na sociedade, política e economia em diferentes vertentes.

Concluindo, no fundo o machismo nada mais é do que um preconceito expressado através de opiniões e atitudes que se opõem à igualdade de direitos entre homem e mulher onde se favorece sempre o homem em comparação à mulher, acreditando assim que o homem é superior e tem um papel distinto e mais importantes só por ser homem. 

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